De acordo com a OMS, 80% da população tem dores no terço inferior da coluna em algum momento da vida. Ela é ainda a maior causa de queixas nos consultórios médicos e um dos problemas músculo-esqueléticos mais frequentes no mundo ocidental.

Lombalgia é o nome de uma das formas mais comuns da popular “dor nas costas” e consiste no incômodo sentido na parte baixa da coluna, na região lombar. É um problema bem democrático: atinge da mesma forma a todas as etnias e afeta igualmente a homens e mulheres, sendo mais comum entre pessoas obesas ou que apresentam vícios posturais – como movimentos impróprios de curvatura ou que sobrecarregam músculos, tendões e ligamentos durante a torção ou o levantamento de peso.

Nas sociedades modernas, a lombalgia tem atingido proporções endêmicas. Acredita-se que isso ocorra porque tanto o aumento da expectativa de vida, quanto o estilo de vida contemporâneo (que inclui muitas horas de trabalho na posição sentada) estejam associados ao desenvolvimento da enfermidade.

Ser frequente, porém, não significa que a solução seja conviver com a “dorzinha nas costas”. A melhor forma para evitar o surgimento de um quadro crônico, é tratar a dor ainda em sua fase aguda.

Vértebras lombars

De onde vem a lombalgia: Em destaque na base da coluna, as cinco vértebras lombares

 

 

O surgimento da dor lombar

São variados os graus de desconforto causados pela lombalgia. Alguns pacientes experimentam ligeiros incômodos na forma de dores e queimações. Outros terão crises mais graves, com “travamentos”. Em alguns casos, a doença evolui tanto que chega a impedir a pessoa de ficar de pé e de andar.

O mais comum são os casos de dor aguda, que aparece e desaparece de forma relativamente rápida, causada por músculos ou ligamentos machucados ou inflamados. Nesse estágio, o problema é descrito como dor recorrente, que pode virar dor crônica caso persista por três meses ou mais.

A boa notícia é que por volta de 60% dos pacientes de dor lombar melhoram seus sintomas em até seis semanas, sem precisar de tratamentos especializados. Entretanto, deve-se ter atenção redobrada quando o alívio chega: nesse período é importante iniciar um programa de atividades físicas regulares para evitar o retorno da dor. Um fisioterapeuta ou um educador físico podem ajudar a escolher os exercícios mais adequados para, ao mesmo tempo, aumentar a força e melhorar a mobilidade e a postura.

Os perigos da automedicação para a “dor nas costas”

Quem já usou a solução improvisada sabe que é fácil: basta chegar na farmácia e pedir um remédio para a dor para obter uma porção de medicações “vendidas no balcão, sem receita”. O acesso fácil dá a impressão de que não há nenhum perigo em usá-los, o que não é verdade.

Quando o paciente começa a tomar analgésicos, anti-inflamatórios ou relaxantes musculares de maneira contínua, aumentando a dose por conta própria a cada vez que a dor retorna, ele fica exposto aos efeitos colaterais desses medicamentos. Mal usados, esses fármacos podem atrapalhar o bom funcionamento de diversos órgãos, como o rim, o fígado ou o estômago. Por isso, todo cuidado é pouco na hora de se medicar.

Lombalgia ou lombociatalgia?

Parece a mesma coisa, não é mesmo? Mas não é. Lombalgia é a dor que ocorre no terço inferior da coluna, mais especificamente entre as vértebras L1 e L5. Em alguns pacientes, a dor da lombalgia irradia para o pé, gerando a lombociatalgia. Além da dor na região do nervo ciático, a lombociatalgia pode vir acompanhada por espasmos musculares.

Seja lombalgia ou lombociatalgia, a arma mais preciosa para o diagnóstico é mesmo o exame clínico. O paciente deve ser examinado nas três posições: sentado, deitado e de pé.

Quando fazer cirurgia de coluna?Operar é indicado para os casos em que existem déficits neurológicos, como por exemplo, a perda de força muscular. Quando a queixa é de dor, a indicação é explorar todas as outras opções antes de partir para a operação na coluna, uma vez que este procedimento é caro e arriscado. Para um paciente que recebeu a indicação de uma cirurgia nessa região, o melhor é pedir uma segunda ou mesmo uma terceira opinião médica, mesmo nos casos de procedimentos mais comuns, como a laminectomia, a discectomia, a foraminotomia, a fusão vertebral e a artrodese.