Os anos a fio de sofrimento causados pela endometriose podem desencadear um processo crônico de dor. Quando isso acontece, o incômodo deixa de ocorrer apenas nos períodos menstruais e torna-se uma presença constante e indesejada.

Muitas mulheres levam anos para descobrir que as fortes cólicas que sentem no período menstrual são resultado de uma doença, a endometriose. Essa situação na qual, sem tratamento, o incômodo se repete e se intensifica mês a mês pode levar a um quadro mais grave, no qual as dores tornam-se persistentes e passam a acontecer também fora do período menstrual – as chamadas dores pélvicas crônicas.

Há, por exemplo, mulheres que retiram o útero e ainda assim seguem sofrendo com o incômodo (No livro Ufa! Chega de dor apresentamos um caso em que isso aconteceu). Isso porque na dor pélvica crônica o endométrio fora de lugar não é mais a única fonte de dor.

De onde vem a dor pélvica crônica?

O que faz com que o incômodo torna-se mais intenso e mais frequente na dor pélvica crônica é justamente o fato de que ele passa a ter mais de uma fonte. São três as origens para a dor pélvica crônica:

  • Fonte 1: As vísceras (que são os órgãos com endometriose);
  • Fonte 2: Os músculos do assoalho pélvico (que, após meses ou anos de dor, podem estar com nós musculares causados pela contração excessiva da região);
  • Fonte 3: Os nervos (que podem passar por um processo chamado de sensibilização do sistema nervoso central, gerando uma memória de dor).

Quando a paciente de endometriose começa a sofrer com dor nas vísceras (Fonte 1) e não recebe tratamento, a repetição desse incômodo pode iniciar um ciclo, desencadeando tanto a memorização do estímulo da dor pelos nervos (Fonte 3), quanto a contração dos músculos do assoalho pélvico (Fonte 2).

Sempre que esses três componentes se somam (dor visceral, dor muscular e sensibilização do sistema nervoso), o tratamento se torna mais difícil. Afinal, não é mais suficiente tratar o órgão originador da endometriose. Nesses casos, é preciso atacar as três fontes dolorosas ao mesmo tempo. Um outro problema que pode ocorrer é a dor associada às cicatrizes originadas após múltiplas cirurgias (fibrose) para a retiradas de implantes de focos de endometriose.