A tendência de envelhecimento da população na maior parte dos países tem feito da dor no idoso um problema de saúde pública de primeira ordem. Calcula-se que ao menos um a cada dois idosos sofra com dor crônica, percentual que aumenta para 80% quando considerados apenas aqueles que vivem em clínicas de repouso.

Dor é uma queixa comum na terceira idade. Com o passar dos anos, a memória começa a falhar, a mão treme, o corpo muda, a força diminui, os ossos se tornam mais frágeis e as articulações não têm mais a mesma flexibilidade de antes.

Essas alterações vão abrindo a brecha para o surgimento da dor persistente, um problema que, apesar de frequente, muitas vezes não recebe o tratamento adequado. Isso ocorre devido à falsa ideia de que a dor é inerente ao envelhecimento. Entretanto, o fato de o passar dos anos favorecer o surgimento das dores não significa que elas não possam (e devam) ser tratadas.

Outras doenças crônicas e a dor no idoso

Geralmente, a dor na terceira idade não vem só. Ela costuma ocorrer associada a outras doenças crônicas. As mais comuns são:

  • Desordens musculoesqueléticas, como as artroses e a osteoporose;
  • Câncer (cuja incidência aumenta na terceira idade);
  • Acúmulo de procedimentos cirúrgicos;
  • Úlceras;
  • Doenças cardiovasculares e dores após ataques cardíacos;
  • Acúmulo de cirurgias;
  • Dor neuropática proveniente de diabetes.

Seja qual for o quadro, as queixas geralmente são relacionadas a incômodos constantes, de intensidade moderada ou severa e que se prolongam por anos a fio, tendo múltiplos focos e múltiplas causas.

Perda da habilidade cognitiva, um fator agravante

Nos casos de demência avançada, o idoso costuma receber um tratamento pior que aquele reservado a seus pares afetados por dores semelhantes, mas com o sistema cognitivo preservado.

Isso ocorre por duas razões. Por um lado, o paciente com demência avançada tem mais dificuldade para verbalizar o que sente. Por outro, muitas vezes a equipe de saúde acaba dando menos crédito ao relato de dor do idoso com demência, justamente por pensar que a piora na capacidade cognitiva pode fazer com que a pessoa reclame mais ou se queixe do que não sente.

Isso, porém, não possui respaldo científico. Ao contrário, em investigações específicas com essa população, se vê que, mesmo com demência, a maior parte dos idosos é capaz de descrever o que sente.

Para os casos de perda cognitiva mais severa, em que a comunicação é afetada, outros elementos podem ser usados para descobrir se o paciente está sentindo dores. Pode-se, por exemplo, observar suas expressões de dor, suas reações durante a realização de movimentos ou possíveis alterações do sono.

O mais importante é compreender que a dor possui um forte componente subjetivo, e, por isso as queixas não devem ser ignoradas, mas sim investigadas para se descobrir o porquê delas existirem.