Ela é apontada como o principal causador de sofrimento entre os pacientes com câncer e está presente na vida de entre 70% e 90% daqueles em estágio avançado da doença. Isso não significa que dor e doença oncológica sejam sinônimos.

Muitas vezes, a pessoa descobre o câncer por causa do surgimento de alguma dor. Em outros casos, ela aparece durante o tratamento, após cirurgias, radioterapia ou quimioterapia. Há ainda as situações em que mesmo após a cura da doença oncológica, o quadro de dor permanece, arrastando-se por meses ou anos.

Em qualquer uma dessas situações, é importante que o paciente de câncer busque tratamento específico para minimizar o incômodo. Embora o câncer apareça frequentemente associado à dor, ela pode (e deve) ser tratada.

Quando a dor surge no câncer

São três os tipos principais de dor que afetam a vida dos pacientes com câncer:

  1. A dor causada pelo crescimento do tumor sobre ossos, nervos ou vísceras;
  2. A dor proveniente do tratamento;
  3. A dor sem relação com o tumor, nem ao seu tratamento. Nesses casos, o incômodo não é provocado pela doença oncológica, é apenas uma coincidência que ambos ocorram ao mesmo tempo. Alguns exemplos são as dores musculares, a hérnia de disco lombar ou a enxaqueca.
Os mitos sobre a dor no câncer

Apesar das dores serem um problema comum, vários pacientes oncológicos não procuram ajuda para tratá-las. Isso ocorre porque há vários mitos sobre o tema que reforçam a ideia errônea de que as dores fazem parte do tratamento contra o câncer.

É comum, por exemplo, o paciente acreditar que a dor está sempre associada à expansão da área afetada, o que nem sempre é verdade. Outros, pensam que o incômodo é inerente à doença e que só existe tratamento para os tumores, não para a dor. Há ainda quem tenha medo de se viciar em opioides ou de sofrer com os seus efeitos colaterais.

Infelizmente, não apenas os pacientes, mas também os profissionais de saúde estão sujeitos a se guiar por esses tabus, o que pode ter consequências no tratamento. Às vezes a equipe médica pode sobrevalorizar os riscos do uso dos opioides ou focar o tratamento apenas na cura da doença, em vez de assistir o paciente de uma maneira mais global, melhorando sua qualidade de vida.