Associadas a problemas no funcionamento do sistema nervoso, as dores neuropáticas podem surgir depois de lesões, doenças infecciosas ou cirurgias. Por isso, é importante estar atento aos seus sintomas.

De um paciente para o outro, mudam as palavras usadas para descrevê-la. Alguns associam a dor neuropática a uma terrível sensação de queimação. Outros a equiparam ao incômodo de centenas de agulhas perfurando o corpo ao mesmo tempo. Há ainda quem diga que se assemelha a ferroadas ou a choques que cortam a carne causando dor.

Embora possam ser descritas de maneiras diferentes, as sensações acima, quando causadas por dor neuropática, têm a mesma origem: problemas no sistema nervoso, originados por lesões ou doenças. A região afetada do sistema nervoso pode estar tanto nos nervos periféricos, quanto na medula espinhal ou no cérebro, o que a torna um problema de difícil diagnóstico e tratamento.

De onde vem a dor neuropática?

Várias podem ser as causas da dor neuropática. Abaixo enumeramos as principais:

  • Doenças infecciosas: Algumas bactérias ou vírus tem a capacidade de danificar os nervos, seja apor meio da liberação de toxinas ou pela ação direta sobre eles. Como resultado, dores agudas ou persistentes podem continuar mesmo após o fim da infecção. Um exemplo é a neuralgia pós-herpética causada pelo vírus varicela-zoster, conhecido como “cobreiro”.
  • Diabetes mellitus: Em sua fase degenerativa, essa doença pode causar lesões na capa que reveste os nervos (chamada de “bainha de mielina”), provocando a neuropatia diabética.
  • Alcoolismo, deficiência nutritiva e de certas vitaminas: Todos esses fatores podem afetar a função nervosa de forma significativa, desencadeando quadros de dor.
  • Traumas e acidentes: Fraturas ou cirurgias podem afetar a coluna, qualquer nervo periférico ou até a medula, gerando dores agudas de grande intensidade no período de convalescença, no pós-operatório ou após o traumatismo. É preciso atenção pois, caso não sejam tratadas adequadamente, essas dores podem se tornar crônicas com o passar do tempo.
Também podem causar dores neuropáticas:

  • Neuralgia do Trigêmeo;
  • Radiculopatia pós-laminectomia (por cicatriz após cirurgia de hérnia de disco);
  • Plexalgia ou plexite após radioterapia;
  • Tumores comprimindo nervos;
  • Dor central (após derrames cerebrais em áreas específicas);
  • Síndrome de dor complexa regional tipo 2.
Mononeuropatia e polineuropatia? Qual a diferença?

Existem duas maneiras principais por meio das quais a dor neuropática se manifesta: as mononeuropatias e as polineuropatias. A diferença fundamental entre elas está na maneira como os trajetos nervosos, isso é, os caminhos por onde passam os estímulos de dor, são afetados.

  • Na mononeuropatia: Somente um trajeto nervoso é afetado. Como resultado, a dor será bem localizada: estará presente apenas de um lado do corpo ou em um membro. Por exemplo, o paciente sofre dor de um lado da perna ou da face. A mononeuropatia também pode ser múltipla. Isso ocorre quando mais de um nervo faz parte do trajeto nervoso afetado.
  • Na polineuropatia: São vários os trajetos nervosos alterados, gerando dor de forma difusa e generalizada. Nesses casos, o paciente pode, por exemplo, sentir incômodo no tronco, nos braços e nas pernas ao mesmo tempo.
Quais são as características da dor neuropática?
  • Sua localização se dá na região dos nervos afetados, mas ela pode irradiar-se para outras áreas do corpo, sem relação com o ponto de origem;
  • A queixa mais frequente é de sensação intensa de queimação ou de dor, descrita como facadas ou pontadas;
  • As dores podem ser contínuas (presentes durante todo o tempo) ou intermitentes (ocorrer em crises, surgindo em horários intercalados);
  • A intensidade varia de fraca a intolerável, dependendo do estágio da doença e do grau de comprometimento dos nervos;
  • Em alguns casos, vem acompanhada pelas chamadas parestesias, que são aquelas sensações como o adormecimento de determinada parte do corpo ou o formigamento;
  • Também podem ser observadas sudorese excessiva, mudanças na cor da pele (que se torna azulada ou avermelhada) e alterações súbitas de temperatura (tanto com o resfriamento da região, quanto com o aquecimento);
  • Em alguns casos pode haver alodinia, que ocorre quando um pequeno estímulo que normalmente não gerava nenhum incômodo, passa a causar dor. Por exemplo, o simples toque da roupa ou do lençol, ou mesmo o vento e a água do chuveiro passam a incomodar quando entram em contato com a área afetada pela neuropatia.