Ela pode parecer dor de dente, enxaqueca ou mesmo dor nas costas. Sua origem, porém, às vezes está em outra parte do corpo, bem distante da região dolorida. Conheça mais sobre a dor miofascial, uma enfermidade comum, mas cujo diagnóstico pode ser bem complicado.

“Mio” significa músculo. “Fáscia” é o tecido que envolve e separa músculos, vasos sanguíneos e nervos. Juntando os dois termos, temos “miofascial”, termo relativo à fáscia localizada no entorno dos músculos.

É nesse tecido, que se estende por todo o corpo, que pode se desenvolver a dor miofascial, um tipo de dor bem comum, que assim como as cefaleias, todos nós costumamos sentir ao menos uma vez durante a vida.

O ponto-gatilho na dor miofascial

Tudo começa com um trauma ou um microtrauma no tecido muscular. Na maior parte dos casos, causado por estresse ou posturas incorretas adotadas por muito tempo.
Em resposta a essa agressão, o músculo afetado se contrai de forma intensa e localizada, formando uma espécie de nó ou caroço, o ponto-gatilho. Esse ponto e seu entorno começam então a ficar muito doloridos, gerando um círculo vicioso: a dor provoca mais contração muscular, que piora o incômodo.

Parece, mas não é!

Em alguns pacientes, ainda há o agravante de que a sensação dolorosa é sentida em áreas distantes do ponto-gatilho, ocasionando a chamada dor referida. Quando isso acontece, o diagnóstico torna-se mais complicado, pois os sintomas podem confundir tanto o paciente quanto os médicos.

A pessoa pode, por exemplo, ter um ponto-gatilho na musculatura da mandíbula e sentir dor na cabeça, olhos e testa, gerando sintomas muito semelhantes aos da enxaqueca e a fazendo crer que é este o problema.

A presença de um desses pontos-gatilho pode causar dor em praticamente qualquer músculo esquelético (ou seja, em todos os músculos que cobrem nosso esqueleto), sendo as regiões mais afetadas o pescoço, a mandíbula, o ombro e a região lombar.

Quais as características da dor miofascial?
  • A duração da dor é variável: alguns pacientes relatam sentir o incômodo apenas por alguns minutos ou horas, outros sofrem por dias, meses ou mesmo anos;
  • Os pontos-gatilho têm atividade variável. Em um dia eles podem estar ativos e no outro não mais, o que faz com que às vezes uma região apareça no primeiro exame, mas deixe de ser perceptível quando o paciente volta ao consultório para o controle.
  • O incômodo assemelha-se a um aperto ou à presença de um peso;
  • Pode ser profunda, moderada ou intensa;
  • Às vezes vem acompanhada pela sensação de queimação ou de latejamento;
  • Nos casos em que há dor referida, ela pode vir acompanhada por alguns outros sintomas, como alterações motoras e sensoriais, vasoconstrição, vasodilatação, sudorese ou mesmo lacrimejamento.