Um dos principais problemas de saúde da atualidade, a dor crônica caracteriza-se pelos quadros de dor em que o incômodo prolonga-se por mais de 12 semanas. Calcula-se que, no Brasil, uma a cada três pessoas sofra com a doença durante a vida

Ela costuma anunciar-se como uma silenciosa e incômoda companheira. É comum que a sua chegada não seja acompanhada por nenhuma marca visível: nada na pele, nenhum ferimento, nada nos cabelos, nenhuma alteração que ajude a dar materialidade ao sofrimento que vai, aos poucos, tomando conta da vida do paciente.

As dores que vão surgido podem tomar várias dimensões. Podem ser moderadas ou excruciantes. Episódicas ou contínuas. Representar um inconveniente para a rotina ou ser totalmente incapacitantes, impedindo o paciente de realizar as mais prosaicas atividades – como pegar um copo de água para beber ou ver televisão. Entretanto, mesmo nos casos em que a dor é menos severa, ela se apresenta como um problema constante, que não desaparece sozinho.

Dor da alma

Uma característica marcante nos casos de dor crônica é que seus reflexos podem ir bem além do sofrimento físico. Há um componente emocional muito forte na doença, que pode gerar ainda mais sofrimento ao paciente.

Ansiedade, estresse, depressão, raiva e cansaço para interagir com as outras pessoas são apenas alguns dos exemplos. Esses sintomas, que podem surgir como consequências de desregulações no organismo causadas pela própria dor crônica, podem acabar amplificando a sensação dolorosa, criando um círculo vicioso.

Mesmo os mecanismos de defesa mais básicos do corpo podem ser comprometidos. Hoje já há evidências consideráveis de que a dor implacável interfere no funcionamento do sistema imunológico.

O caráter crônico da dor

Entende-se como crônica a dor que permanece por mais de 12 semanas e calcula-se sua prevalência em aproximadamente 30% da população de um país. Se não tratada, a dor crônica pode evoluir, levando à incapacidade total ou parcial do paciente, além de perda da qualidade de vida.

Mesmo assim, falamos muito pouco da dor crônica. O silêncio nada tem a ver com a raridade do problema. Muito pelo contrário, a incidência da dor crônica é alta, muito superior à de doenças as quais conhecemos bem melhor.

Quer um exemplo?

Uma comparação feita pela Academia Americana de Medicina para a Dor usando dados dos Estados Unidos mostra que o número de pacientes de dor crônica é maior que a soma de pacientes com doenças do coração, diabetes e câncer.

Na raiz do problema podem estar traumas, injúrias ou infecções não tratadas adequadamente. Cirurgias ou o câncer (seu desenvolvimento, diagnóstico ou tratamentos) também podem acabar por desencadear dor crônica. Em outros casos, como a fibromialgia, as causas são desconhecidas.

Na lateral direita desta página, elencamos alguns dos tipos de dor crônica, que são aqueles que tratamos no livro Ufa! Chega de dor – Histórias reais de quem aprendeu a controlar a dor. Não significa, porém, que as possibilidades se esgotam nessa lista. Há ainda vários outros tipos de dor crônica.

*
Caso você tenha alguma dúvida ou sugestão relacionada ao tema, mande-nos uma mensagem no nosso Fale Conosco. Nosso objetivo é informar sempre o melhor possível, ajudando pacientes de dor crônica e seus familiares a encontrar o tão desejado caminho para se ver livre do incômodo.