Eu vs a Fibromialgia: Os efeitos contínuos da dor crônica

A dor crônica não é apenas dor. Puja Rios fala sobre os efeitos acumulados e contínuos sobre o corpo e sobre a importância de se estar atento e agir com rapidez para controlá-los

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*Puja Rios

A batalha é real. Na maior parte do tempo, na minha vida e nos meus textos, eu escolho ser otimista. Como vocês podem ver pelos meus posts (confira os textos de Puja traduzidos para o português pelo Ufa! ou cheque o blog original em inglês), prefiro focar nas soluções que nos problemas. Tenho usado meu tempo compilando e compartilhando dicas, mostrando como aprender a conviver com a dor crônica. Hoje, porém, vou falar de um único tema e dar um único conselho.

Vou compartilhar com vocês alguns dos meus sintomas na esperança de que vocês não sejam deixados no escuro sobre essa realidade. Meu único conselho neste texto é que como não há ainda cura para a dor crônica, é preciso monitorar e levar a sério os sintomas que podem surgir na sua vida a qualquer momento.

Os efeitos contínuos da dor crônica

Os sintomas que vão surgindo no curso da fibromialgia são algo para o qual eu não estava preparada quando recebi o diagnóstico da doença e, de certa maneira, são algo que ainda me é difícil de aceitar.

A fibromialgia afeta várias partes do corpo e é inevitável que a longo prazo a soma desses efeitos resulte em mais e mais visitas à emergência, assim como uma profusão de consultas com diferentes especialistas.

Somente neste ano eu estive na emergência quatro vezes. Uma vez por uma suspeita de um trombo em uma das minhas pernas. Outra por uma suspeita de apendicite. Mais uma depois de uma forte reação alérgica à tinta de cabelo (exatamente a mesma tinta que usava há anos) e, finalmente, pelo que eu pensei ser uma forte infecção de ouvido.

Com exceção da suspeita de apendicite, descobri que todos os outros casos aconteceram por causa de “inflamação crescente” na região ou reação cutânea severa – ou seja, fibromialgia!

Essas visitas anuais à emergência se tornaram a norma durante os últimos oito anos. (Meu marido e eu temos um sistema em vigor para essas visitas, que compartilho com vocês em um post futuro.)

A lista que não para de crescer

Além disso, sintomas novos não param de aparecer. As erupções cutâneas causadas pela fibro, que antes eram no rosto e nos braços, recentemente tiveram uma aparição terrível nos meus pés e nas minhas mãos.

O que achava ser apendicite, foi na verdade uma pancreatite causada pelos vários anos tomando medicamentos para controlar a dor antes de conseguir encontrar uma rotina que funcionasse para mim. Foram meses até receber o diagnóstico de fibromialgia, que resultaram em perda de peso e dificuldade para reter a comida que ingeria.

Tornar-se desanimada(o) e deprimida(o) diante dessa situação é completamente natural. As novas complicações são uma lembrança constante dos efeitos sem fim da fibromialgia, da fadiga crônica e da síndrome de Sjorgren. Cada novo sintoma requer várias visitas ao médico, exames de sangue e uma enorme variedade de exames de imagem. Sem falar em MAIS REMÉDIOS!

Durante essas frustrantes e (inserte outros palavrões de sua preferência) momentos, sou tentada a desistir. Os efeitos constantes e em mutação da fibromialgia, junto com o fato de sentir-se atingida de novo e de novo, são cansativos e tiram qualquer um do sério.

Por isso, o meu conselho: se você está sentindo a chegada de um novo sintoma ou o agravamento de um velho sintoma, ligue para seu(ua) médico(a) para que ele pesquise os motivos dessas mudanças. Faça isso rápido, antes que seja tarde demais.

Este artigo foi publicado originalmente em Huffington Post e traduzido para o português por Rachel Costa, com a autorização da autora.

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Puja Rios
é empreendedora, consultora e diretora de vendas nos Estados Unidos. Vivendo com fibromialgia, ela decidiu compartilha sua experiência com a síndrome como forma de informar outros pacientes e o público em geral. Você a encontra na página FibroGirl

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Comentário:

  1. Andreza 10 meses ago

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