Homeopatia funciona para a dor crônica?

A médica Luciana Costa Lima Thomaz explica os princípios do tratamento homeopático e seus usos no controle à dor crônica

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A homeopatia foi criada no século XVIII pelo médico alemão Samuel Hahnemann. O princípio proposto por Hahnemann era o de que “semelhante cura semelhante”, ou seja: a mesma substância capaz de causar certos sintomas seria também capaz de fazê-los desaparecer, desde que usada de forma diluída. Nesta entrevista, a médica e homeopata Luciana Costa Lima Thomaz, explica melhor o que é a homeopatia e seu uso na dor crônica:

A homeopatia parte do princípio de que semelhante cura semelhante, o que a opõe à alopatia. Como esse princípio é usado na hora de definir um tratamento? Você pode dar um exemplo?

Os sintomas e sinais objetivos trazidos pelo paciente são comparados a um repertório de sintomas catalogados e relacionados a determinados medicamentos. A extração dessa relação entre sintomas e medicamentos provém de experimentações realizadas em indivíduos saudáveis que manifestam sintomas após a tomada do medicamento. Esses sintomas são computados e associados sistematicamente a esses remédios. No momento da consulta, é prescrito o medicamento que mais se assemelha às queixas ou sintomas do paciente, daí provém o tratamento “pelo semelhante”.

A homeopatia é capaz de tratar a dor crônica? Em quais tipos de dor ela tem mais sucesso?

A homeopatia pode ser utilizada no alívio de qualquer tipos de dor, desde que os sintomas sejam bem analisados pelo médico homeopata.

Podemos dizer que a homeopatia é mais indicada para os casos crônicos do que para agudos?

A homeopatia é igualmente eficaz tanto para casos agudos quanto para casos crônicos. Muita gente tem essa ideia de que o tratamento homeopático é longo ou demorado porque há alguns tratamentos que exigem a tomada do medicamento diariamente. Nesse aspecto, o tempo e a frequência do tratamento na homeopatia não diferem do tratamento alopático habitual.

A homeopatia às vezes parece despertar aquele sentimento oito ou oitenta: segue muito popular em alguns países, como a Alemanha, enquanto em outros, como o Reino Unido, quase foi banida há alguns anos e são poucos os homeopatas dentro do sistema de saúde. Por que essa disparidade?

Essa sensação de insegurança em relação ao tratamento homeopático deriva em parte do desconhecimento a respeito de seu funcionamento por parte dos colegas médicos, que repassam essa ideia a pacientes e ao público em geral. Um dos pontos-chave da polêmica são as ultradiluições usadas no preparo do medicamento homeopático: o princípio ativo deve ser diluído milhares de vezes, fazendo com que a substância não apareça em sua forma inicial ao final do preparo do medicamento homeopático. Esse fato gera desconfiança na comunidade científica. No entanto, pesquisas clínicas realizadas sistematicamente com medicamentos homeopáticos demonstram sua eficácia em estudos comparativos com placebo, assim como em estudos em epidemias como no caso da dengue. Em países como o Reino Unido, apesar do pequeno número de homeopatas, a prática é reconhecida como eficaz, tanto que a University College London abarca uma das instituições mais renomadas no estudo e tratamento em homeopatia, o Royal Hospital for Integrated Medicine.

Muita gente reduz a homeopatia a efeito placebo, dando uma conotação negativa ao efeito placebo que não condiz com a verdade. Como a homeopatia funciona? E por que não devemos pegar tão pesado com o efeito placebo?

Acredito que a gênese dessa ideia tem a ver com a consulta homeopática tradicional, na qual os diversos aspectos do paciente são investigados, incluindo o seu estado afetivo. Às vezes, o simples ato de falar sobre seu estado emocional pode conduzir o paciente a uma sensação de melhora subjetiva. Atualmente, no entanto, os recursos de semiótica visual são usados como ferramenta na prescrição dos medicamentos homeopáticos, ou seja, dados objetivos como condições dermatológicas, por exemplo, nas quais o indivíduo não pode interferir subjetivamente, são usados para prescrever o medicamento homeopático.

Como é um remédio homeopático?

Os medicamentos homeopáticos normalmente apresentam-se como glóbulos de sacarose ou diluições hidroalcoólicas (de água e álcool).

Quando homeopatia e alopatia são usadas em conjunto? A combinação é recorrente?

Dá-se preferência ao uso exclusivo do medicamento homeopático, até mesmo para que uma melhor observação dos efeitos dos remédios seja feita. No entanto, é frequente a associação do tratamento homeopático com outras terapias não-medicamentosas como a acupuntura, por exemplo.

Florais (esses que podem ser adquiridos sem receita) também são homeopatia?

Não. Essa é uma confusão frequente, que, acredito, aconteça porque os florais de Bach também encontram-se em solução hidroalcoólica. Porém, seus princípios de tratamento são completamente diferentes dos mecanismos de ação homeopáticos. Os florais de Bach não são considerados medicamentos e, por isso, são prescritos sem receita, enquanto os medicamentos homeopáticos devem ser dispensados por meio de receita médica.

Quando o assunto é dor, quais são os casos normalmente tratados pela homeopatia?

Pacientes com dores crônicas desde cefaléias até de origem reumatológica, normalmente são os mais frequentes. Mas dores agudas de qualquer origem podem ser tratadas pela homeopatia também.

Quais recursos homeopáticos são normalmente usados para tratar o paciente de dor?

Como dito anteriormente, o medicamento homeopático é prescrito após cuidadosa análise de sinais e sintomas do paciente, de acordo com o método homeopático. Como realizado em uma consulta em alopatia habitual, o paciente é escutado e examinado da mesma maneira, para só então decidir-se pelo tratamento.

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Luciana Costa Lima Thomaz
(dralucthomaz@gmail.com) é médica acupunturista e homeopata com mais de dez anos de experiência na área da medicina integrativa. É PhD em História da Ciência e especialista em medicinas holísticas.

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Comentário:

  1. hugo 6 meses ago

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