Cinco mitos sobre a dor no câncer

A dor é uma queixa comum entre quem tem câncer, afetando um a cada três pacientes em estágio inicial da doença. Ainda assim, o tratamento para a dor é um tabu para muita gente

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Um a cada três pacientes em fase inicial de câncer tem a dor como principal queixa. Para aqueles em fase avançada da doença, o percentual sobe para entre 70% e 90% dos pacientes. Apesar de um problema comum, muitos pacientes não recebem o atendimento adequado para controlar a dor no câncer e isso se deve em grande parte por uma série de mitos que explicamos abaixo:

MITO: A dor é resultado direto do crescimento dos tumores

Embora em alguns casos a dor realmente apareça por causa do crescimento dos tumores, nem sempre essa é a razão. Há inclusive alguns tipos de câncer, como o de mama, no qual é muito raro a mulher sentir dores no início da doença. Câncer e dor aparecem relacionados de várias formas: as biópsias realizadas para o diagnóstico, assim como a quimioterapia ou a radioterapia usadas para o tratamento dos tumores podem causar incômodo. Em outros casos, o câncer é curado, mas a dor persiste, porque houve alguma alteração dos nervos responsáveis pela transmissão da dor para o cérebro.

MITO: Nos casos avançados da doença, a dor é inevitável

A dor pode e deve ser tratada sempre, independentemente do estágio da doença. Desde 1986 a Organização Mundial de Saúde propôs uma escala de controle da dor oncológica que sugere os melhores fármacos a se usar para controlar desde as dores leves às dores fortes.

MITO: O foco do tratamento oncológico deve ser o tratamento do tumor

O foco do tratamento é o bem-estar geral do paciente. Não adianta tratar apenas o tumor se as dores são tão insuportáveis que têm atrapalhado a pessoa a comer, impedido-a de dormir e impossibilitado os seus movimentos. É preciso fazer o possível para tratar o tumor, claro, mas esses esforços precisam ser acompanhados de outros, dirigidos ao bem-estar do paciente.

MITO: O único tratamento possível para a dor no câncer é por meio de opioides

Os opioides são uma ferramenta importante no controle da dor oncológica, mas não são a única opção. São recomendados para as dores moderadas (opioides fracos, como a codeína e o tramadol ou opioides fortes em dose baixa, como a oxicodona e a morfina) e para as dores intensas (opioides fortes, como a morfina, oxicodona, metadona e fentanil).

MITO: Opioides causam vício

Muita gente tem medo dos opioides por achar que eles podem causar vício. A dependência, porém, é extremamente rara em pacientes com câncer, especialmente porque o uso dos opioides é sempre feito com acompanhamento médico. Outro erro comum é achar que há um “limite universal” no consumo de opioides. Na verdade, a tolerância varia muito de organismo para organismo, o que significa que as doses mudam de um paciente para o outro. Cabe à equipe médica estabelecer esses limites. A equação correta é aquela que garante o máximo de alívio com o mínimo de efeitos colaterais.

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