Cefaleia: Será que o ômega-3 pode ajudar a aliviar a dor de cabeça?

Um grupo de pesquisadores americanos acredita que sim e os resultados podem ser tão bons que apenas a mudança alimentar é capaz de reduzir as crises

ômega-3 pode ajudar a aliviar a dor de cabeça

Mudar a alimentação pode aliviar a dor de cabeça. É o que defende o grupo liderado pelo médico Chrstopher Ramsed em uma pesquisa capitaneada pelo instituto nacional de saúde dos Estados Unidos. Joseph Hibbeln, membro do grupo de Ramsed, foi recentemente entrevistado pela articulista do Huffington Post, Stephanie Weaver (o original, em inglês, você lê aqui).

A pesquisa por ele liderada tem como objetivo avaliar os impactos de mudanças alimentares sobre pacientes com cefaleia crônica, incluindo-se na lista, a enxaqueca. A hipótese principal é a de que, com a industrialização dos alimentos, passamos a consumir mais ácidos graxos insaturados do que deveríamos e, um dos possíveis efeitos dessa desregulação, é a dor.

De onde vem os ácidos graxos insaturados

Até 1950, anota Weaver em seu texto, havia um equilíbrio entre os diferentes tipos de gordura consumidos. Entretanto, de lá pra cá, com as mudanças nos métodos de processamento dos alimentos, começamos a comer mais e mais ômega 6 – presente nos óleos provenientes de sementes, como o algodão, o girassol, o milho e o amendoim.

O grande problema estaria na capacidade desses ácidos insaturados de produzir componentes relacionados à sensação de dor. Mesmo estando armazenados nos tecidos do nosso corpo, eles seguem ativos e liberando essas substâncias na corrente sanguínea, anota Weaver.

Mas o que fazer?

Se o excesso de ácidos graxos insaturados é capaz de piorar o processo doloroso, a melhor maneira para interferir no incômodo seria diminuindo a ingestão desse tipo de gordura, não é mesmo?

Pois foi exatamente essa a proposta dos cientistas para os voluntários: controlar a ingestão de ômega 6. Parte do grupo recebeu ainda uma segunda missão: aumentar o consumo de ômega 3, gordura encontrada em alguns peixes, como o salmão e a sardinha, no azeite de oliva, na chia e na linhaça, no espinafre, no brócolis e na rúcula, entre tantos outros alimentos.

Os resultados observados após essas simples mudanças foram impressionantes. Especialmente no grupo que também aumentou a ingestão de ômega-3: nove dias a menos de dor de cabeça por mês, crises com duração três vezes menor, além de redução na intensidade das dores. A necessidade de recorrer a medicamentos para controlar as cefaleias também diminui cerca de um terço.

Baseados nos bons resultados observados no estudo, os cientistas recomendam a quem sofre com cefaleias crônicas, realizar o experimento: reduzir a ingestão de ômega 6, e aumentar o consumo de ômega 3. Para isso, olho nos rótulos é fundamental. Trocar os óleos feitos à base de sementes, como o de girassol e soja, por azeite também é uma boa ideia. Por último, é preciso um pouco de paciência (mas não muita): os efeitos observados nos voluntários começaram a aparecer cerca de oito semanas após o início da dieta.

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