“Quem dança, os males espanta”

dança contra a dor
Conheça a história de Elyane, uma apaixonada pela dança que resolveu voltar a frequentar os bailes, mas sem convidar a dor para ir junto

por Elyane Pafume

Dizem que quem canta, os males espanta, mas na minha opinião, podemos mudar essa frase para “quem dança os males espanta”. Foi assim que eu, pelo menos, espantei a dor da minha vida: dançando.

Tenho uma extensa lista de “condições dolorosas”: fibromialgia, artrose na coluna sacrolombar, artrose no quadril esquerdo, artrose nos polegares das mãos e condromalácia patelar (que é um desgaste da cartilagem do joelho). A soma disso tudo já me valeu muitos anos com dores horríveis. O ápice foi em 2002, quando fraturei meu pé esquerdo e tive de ficar com a perna esticada para a cicatrização. Resultado: a fratura melhorou, mas a dor piorou imensamente.

Dos episódios dolorosos e das inúmeras consultas, exames e diagnósticos diferentes, aprendi uma coisa: mover-se, para quem tem um quadro clínico como o meu, é fundamental. Ou eu faço exercícios ou fico de cama. Entre as duas opções, claro, escolhi me mexer.

Mesmo porque isso para mim não é nenhum esforço. Minha mãe costumava dizer que eu aprendi a dançar antes mesmo de andar. Sempre fui apaixonada, como o meu pai, pela dança de salão. Danço de tudo um pouco: valsa, bolero, samba, chá-chá-chá, forró… Não importa o ritmo, tendo música e um bom par, encaro qualquer pista.

Essa paixão, porém, andava meio esquecida desde uma operação no joelho em 2009. Foi a constatação de que uma depressão batia-me à porta que me fez tomar a decisão de calçar as sandálias, vestir a saia e rumar para um baile novamente.

Aconteceu no ano passado: era fim de semana quando percebi o quão afetada eu andava por causa de um problema de saúde na família. A sensação era de vazio, de solidão… e eu sabia que uma depressão podia piorar muito as dores crônicas.

Então resolvi agir. Na mesma semana, marquei uma sessão de psicoterapia e fui ao clube onde costumava dançar. Lá, reencontrei uma grande amiga e nos reaproximamos. Desde então, procuramos dançar sempre nos mesmos dias, às quartas e aos domingos.

dança contra a dor

E aqui estamos nós, eu e o meu “personal dancer”, o Elberte!

A dobradinha dança e psicoterapia foi um sucesso. Não só me devolveu o prazer de viver, como me ajudou a reinserir uma atividade aeróbica na minha rotina. Isso sem contar a quantidade de novas pessoas que eu conheço sempre, nos bailes.

Deu tão certo que acabei substituindo a fisioterapia pela dança e contratei um “personal dancer”, o Elberte Lima, que hoje me acompanha uma vez por semana. Assim tenho garantido que, durante três horas de música, tenho um par para me acompanhar, sem precisar ficar naquela espera por um convite para uma dança. Se dependesse de mim, não ia mais a baile nenhum sem o Elberte!

Para quem tem fibromialgia, como eu, minha mensagem é: seja positiva(o)! No meu caso, tinha já dentro de mim esse ímpeto, mas para dizer a verdade, foi a psicoterapia que me ajudou a deixá-lo vir para fora.

Eu, que tinha passado grande parte do tempo no austero ambiente corporativo, trabalhando como secretária executiva bilíngue, aprendi a ser mais light, a não me preocupar tanto. Comecei a conversar com minhas dores. Eu falava para elas: “Olha, eu agora quero ir passear. Você fica aqui”. Com isso fui retomando as rédeas do meu próprio corpo e da minha vida.

Por isso, tenha fé, seja lá qual for a sua crença. Seja otimista, abrace a vida no que ela tem de melhor, lide com os problemas de modo positivo, enfrente a dor sem deixar que ela te diga como agir, respeite seus limites, coloque-se para a sua família, faça com que as pessoas te respeitem e não te atrapalhem com mais cobranças. Dê prioridade a você mesma(o) e busque aquelas coisas que te dão prazer na vida.

Cura para a fibromialgia, não há. Comigo também tem dias em que eu acordo dolorida, mas a vida continua. É como na dança: muda o ritmo da música, mas o baile segue, e somos nós que decidimos se vamos seguir alegres e dançando ou se vamos nos entregar, desanimados, em um canto do salão.

E, quem quiser falar sobre fibromialgia, dança ou afins, sou toda ouvidos (ou olhos!). É só me escrever no epafume@gmail.com ou na minha fanpage Secretaria Virtual Bilingue. Será um prazer responder.

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Aqui, eu dançando pelos bailes da vida.

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2 respostas

  1. Sheila Luna Freire 2 anos ago
    • Elyane Pafume 2 anos ago

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